Case Nestlé e Alia Inclui: Como o Varejo Inclusivo Virou Estratégia de Receita no BBB 26

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O que o Brasil viu em rede nacional durante o BBB 26 não foi apenas uma “ação social”. Foi a validação de um novo padrão de consumo em larga escala.

Com o projeto “Rótulos Que Falam”, a Alia Inclui — startup acelerada pela 49 Educação — provou uma tese crucial para o mercado atual: a embalagem estática é um gargalo de receita, e a autonomia do usuário é o próximo grande “oceano azul” do varejo inclusivo.

Neste artigo, analisamos como a tecnologia assistiva deixou de ser uma pauta de compliance para se tornar um motor de crescimento e expansão de TAM (Total Addressable Market).

Acessibilidade no Varejo: De ESG de Fachada para Driver de Receita

Durante décadas, grandes marcas trataram a acessibilidade como uma nota de rodapé nos relatórios de sustentabilidade ou tokenismo em campanhas de marketing. Para a Alia Inclui, a premissa é diferente: não é sobre benevolência, é sobre eficiência de mercado.

No ecossistema de inovação, chamamos isso de Utilidade Radical. O projeto com a Nestlé enviou um aviso claro ao mercado:

A acessibilidade não é apenas conformidade legal; é a chave que desbloqueia fatias gigantescas de market share, antes ignoradas por puro atrito no funil de vendas.

A Importância da Aceleração: Traduzindo Causa em Negócio Exponencial

A missão da Alia Inclui sempre foi clara: promover autonomia para Pessoas com Deficiência (PcDs). Contudo, para escalar uma solução ao nível de uma multinacional como a Nestlé, era preciso mais do que propósito. Era necessário vocabulário de Venture Capital e mentalidade de Growth.

Foi neste ponto que a 49 Educação atuou como catalisador.

Antes de alcançar o horário nobre, a startup passou por um processo intensivo de aceleração focado na profissionalização da tese. O programa não ensinou apenas métricas; ajudou a traduzir a vivência de pessoas com deficiência para a lógica de escala global.

A aceleração transformou uma visão humanitária em um modelo de negócio B2B2C validado e atrativo para grandes corporações. A lição para o mercado é direta: a acessibilidade deve sair do RH e tornar-se uma vertical estratégica de Revenue Operations (RevOps).

Tecnologia na Prática: 1.200 SKUs e a Experiência do Usuário

A vitrine do BBB serviu para consolidar uma tecnologia que já opera no mundo real. Desde 2025, a solução da Alia cobre o portfólio completo de mais de 1.200 produtos da Nestlé no Brasil.

A tecnologia elimina o atrito no momento da compra e do consumo. Ao escanear o código de barras, o aplicativo entrega exatamente o que o consumidor precisa para a decisão de compra, focando em três pilares:

  1. Transparência de Dados: Leitura da tabela nutricional e ingredientes via áudio;
  2. Mitigação de Risco: Alertas em tempo real sobre componentes alergênicos;
  3. User Experience (UX): Modo de preparo guiado e interativo.

A Visão do TAM: Por que marcas não inclusivas perdem dinheiro?

Marcas que não investem em embalagens acessíveis ou “produtos que falam” estão, deliberadamente, reduzindo seu TAM (Total Addressable Market).

Existem milhões de consumidores — incluindo cegos, idosos e pessoas com baixa alfabetização — que possuem capital, mas enfrentam barreiras físicas de consumo. A lógica é puramente financeira:

  • Se a sua embalagem ou e-commerce cria atrito para quem não enxerga ou não lê, você gera um churn evitável no checkout.
  • O valor percebido não está mais apenas no produto, mas na experiência de acesso desintermediada.

O Playbook de Growth da Alia para a Inclusão

O exit estratégico e o sucesso deste case resumem-se a três lições fundamentais para qualquer marca ou investidor:

1. Traduza Propósito em KPIs

A paixão move o fundador, mas os dados movem o aporte. A Alia não vende apenas “apoio à causa”; vende tecnologia de retenção e expansão de base.

2. Resolva para os Extremos, Ganhe o Centro

Ao desenhar uma solução para cegos, a Alia criou um produto superior também para idosos e pessoas com dificuldades de leitura. Resolver para o cenário mais complexo (Extreme Users) beneficia 100% da sua base de clientes.

3. Informação é Ativo de Fidelização

O fim das “letras miúdas” é a maior estratégia de LTV (Lifetime Value) que uma marca pode adotar. A transparência gera confiança imediata.


Conclusão

A Alia Inclui não busca aplausos por superação. Ela se posiciona como uma deep tech que resolve problemas estruturais de consumo. A Nestlé e a 49 Educação entenderam o ROI dessa visão.

Sua marca vai continuar operando com um mercado limitado por escolha ou vai liderar a inovação no varejo inclusivo?

Escrito por:

Leandro Piazza
Leandro Piazza
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